Do terreiro ao rádio, do morro ao mundo: a linha do tempo do ritmo que é a alma do Brasil.
Século XIX
Nasce da mistura dos ritmos africanos (batuques, semba) com o lundu, o maxixe e a modinha. O "semba" angolano, dança de umbigada, é um dos pais do gênero.
1916
"Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, é registrado na Biblioteca Nacional — considerado o primeiro samba gravado do Brasil.
1928
Nascem a Deixa Falar (primeira "escola de samba", no Estácio) e a Mangueira. O samba do Estácio dá o andaimento que conhecemos hoje.
1930–1950 · Era de Ouro
O rádio espalha o samba pelo país. Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Wilson Batista e Geraldo Pereira transformam o cotidiano em poesia. As escolas crescem e o carnaval vira espetáculo nacional.
1955
Adoniran Barbosa grava "Saudosa Maloca" — o samba paulistano ganha voz própria, cantando o dialeto dos migrantes.
1960–1970
O samba vira resistência na ditadura: Zé Keti, Candeia e Paulinho da Viola nos festivais e nos sambas de arena. Nascem os movimentos de valorização das Velhas Guardas e o Zicartola abre espaço aos mestres do morro.
1970–1980
Beth Carvalho lança os compositores do Cacique de Ramos. O partido alto vive seu auge com Candeia, Wilson Moreira e Nei Lopes. Dona Ivone Lara firma seu lugar na história.
1980–1990
O Fundo de Quintal revoluciona a harmonia do samba e nasce o pagode de partido: Almir Guineto, Bezerra da Silva e Zeca Pagodinho conquistam as rádios.
Hoje
Novas rodas brotam em todo o Brasil — quintais, bares e praças. O samba segue "agonizando mas não morrendo", como dizia Nelson Sargento: mais vivo do que nunca.
"O samba é a coisa mais bacana que existe no mundo. Quem samba uma vez samba eternamente."
— Candeia, em "Samba da Antiga"
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